sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Não à repressão!
Trabalhadores da construção civil em greve são duramente agredidos pela polícia em Belém


A Conlutas presta todo o apoio e se solidariza com trabalhadores em greve, que foram duramente agredidos pela polícia de belém
Trabalhadores são duramente reprimidos pela polícia, mas votam pela
continuação da greve. 9.000 operários
da construção civil param às ruas de Belém no 1° dia de greve da categoria
O 1º dia de greve dos trabalhadores da construção civil no Pará, na quarta-feira (2), foi marcado por muita
luta e união por parte dos operários da categoria. Desde as 6 horas da manhã mobilizaram-se em piquetes na frente das obras. 9.000 operários das principais obras da construção civil do estado entraram em greve por tempo indeterminado reivindicando um reajuste maior
nos seus salários.
A patronal, como já era de se esperar, fez de tudo para impedir a greve e contratou seguranças armados para não de
ixar os operários saírem de suas obras e impedirem a adesão à greve. Além disso, os patrões também contaram com o apoio da Polícia Militar e da tropa de choque, a ROTAM, da governadora Ana Júlia (PT), que reprimiu violentamente os trabalhadores durante o ato. A polícia usou gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar a massa de trabalhadores e impedir que os operários entrassem nos canteiros de obras para retirar os companheiros que ainda trabalhavam.
A direção do sindicato chegou a fazer um acordo com o comandante da ROTAM para garantir a manifestação dos operários de forma pacífica. Os operários exigiam seguir o ato para paralisar obras que ainda estavam funcionando. Cada obra parada era comemorada com entusiasmo, porém era visível o aumento do número de policiais, o que já indicava o que viria a seguir.
Repressã
o da polícia deixa 15 trabalhadores presos e quatro feridos
Os patrões deixaram claro desde o início do ato que não iam deixar barato a greve da categoria e que estavam dispostos a reprimir de forma dura a paralisação. Logo no início do ato, seguranças armados da construtora
Urbana atiraram nos operários que tentaram entrar na obra para retirar os trabalhadores que ainda estavam lá. Os operários ficaram revoltados e foram para cima dos seguranças. A polícia interveio com bombas de gás e balas de borracha. Os operários não esmoreceram e foram para cima. Resultado: dois operários feridos, um na cabeça e outro na perna. Mas o pior ainda estava por vir.
Na Praça Brasil, no centro da capital, quando o ato já estava se dirigindo de volta ao sindicato para que os operários almoçassem, a Polícia Militar, que estava na retaguarda, começou a bater e a perseguir os trabalhadores de fo
rma violenta. Para se ter uma idéia, a polícia arrancou o motorista do carro de som e o prenderam de forma arbitrária
e injusta. Cortaram o som e passaram a jogar gás lacrimogênio nos manifestantes, atirando na direção dos operários o que causou pânico na população presente. Os operários foram para cima e o confronto foi inevitável. Começaram a jogar pedras, mangas e pedaços de madeira nos policiais para se defender dos ataques. Um trabalhador foi surrado pela polícia com escoriações no corpo todo. Uma viatura passou em cima das pernas de um operário que teve lesão na coluna e as pernas paralisadas. O saldo foi de 15 trabalhadores presos e quatro feridos.
Os operários ficaram revoltados com a situação. A polícia acabou com o ato, porém os operários seguiram até o sindicato e lá, votaram por unanimidade na continuação da greve. Os patrões já declararam que ir
ão entrar na justiça para decretar a abusividade da greve, mas a categoria está forte. Amanhã terá novamente piquetes e a ordem é continuar as paralisações até os patrões decidirem negociar.
Wellingta Macedo, de Belém






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