terça-feira, 22 de setembro de 2009

Funcionalismo Público -Sinal vermelho para acordos abre sinal verde para greve

Os servidores da base da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) votaram e aprovaram sinal verde para mobilização unificada. Um indicativo de greve está apontado para o dia 10 de novembro. Duzentos e vinte e seis servidores de diversas categorias se reuniram neste sábado, na plenária nacional da Confederação, e decidiram as ações que serão tomadas para seguir lutando pelo cumprimento de acordos e compromissos firmados pelo governo. Representantes de 25 estados e 27 entidades filiadas à Condsef mostraram que os servidores estão decididos a lutar por suas reivindicações e direitos. Uma paralisação de 24 horas de todas as categorias mobilizadas acontece no próximo dia 1º de outubro. Logo em seguida, nos dias 15 e 16 de outubro, os servidores dão novo recado ao governo e se mobilizam com 48 horas de paralisação de suas atividades. Uma nova plenária nacional será realizada no final de outubro e podedefinir por uma paralisação por tempo indeterminado caso as negociações não avancem e a situação de recuo imposta pelo governo permaneça. Esta semana a Condsef entregou ao Ministério Público Federal o histórico do processo de negociações com o governo e denunciou o não cumprimento de diversos acordos firmados entre 2007 e 2009. A entidade fez um balanço das cláusulas negociadas que permanecem em aberto. A denúncia ao Ministério Público é uma das ações feitas pela Condsef para assegurar que os acordos firmados com setores de sua base sejam cumpridos. Outra é buscar junto ao Congresso Nacional o detalhamento da peça orçamentária 2010. O primeiro passo para isso será dado. A Condsef aguarda a confirmação de uma reunião com o relator do Projeto da Lei Anual Orçamentária (PLOA) 2010.Paralelo ao trabalho da Condsef em Brasília, suas filiadas em todo o Brasil seguem mobilizando os servidores nos estados. Tudo para unificar o movimento dos federais em torno do respeito aos acordos e cumprimento dos compromissos firmados pelo governo com milhares de servidores. Cerca de vinte e uma categorias têm acordos ainda pendentes, entre elas estão trabalhadores dos ministérios da Cultura, Agricultura, Fazenda, Trabalho e Emprego, Ciência e Tecnologia, AGU, Incra, Civis de Órgãos Militares, Dnit, Conab, DNPM, SPU, e outros.
Fonte: Condsef
ANDES-SN, FASUBRA e SINASEFE se reúnem para discutir Educação

Representantes do ANDES-SN, da Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras – FASUBRA e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – SINASEFE se reuniram, na sede do ANDES-SN, no dia 18/9, para definir estratégias conjuntas de atuação nas lutas pela melhoria da educação brasileira. A reunião foi um dos encaminhamentos sugeridos na última reunião ampliada da Coordenação Nacional de Entidades de Servidores Federais – CNESF. De acordo com professor Luiz Henrique Schuch, que foi um dos representantes do ANDES-SN na reunião, foram sinalizadas várias possibilidades de articulação e atuação conjunta em torno da temática prioritária para os trabalhadores federais em educação.Os presentes discutiram a possibilidade de construção de uma agenda comum às três entidades, que abarcaria temas como reforma universitária, fundações estatais, seguridade social, carreira e orçamento das instituições federais de ensino superior, entre outros. Propuseram também a articulação entre os grupos de trabalho das entidades, que tratem de temas como educação, seguridade e carreira. Os representantes das entidades cogitaram também a possibilidade de realizar um seminário conjunto ainda este ano para discutir os temas relacionados à Educação, além de proporem uma atuação conjunta frente ao Congresso Nacional para defesa dos interesses das categorias, entre outras frentes de atuação. As idéias serão levadas às direções das entidades e voltarão a ser discutidas em reunião conjunta prevista para a próxima quinta-feira (24/9), às 10 horas, na sede do ANDES-SN.
Fonte: ANDES/SN
Vinte e dois sindicatos decidem continuar a greve nacional nos Correios.

CTB e CUT traem trabalhadores do Rio e impõem o fim da greve.Heitor Fernandes, Rio de Janeiro.
Na noite de sexta feira, 18/9, após uma passeata com mais de 1.500 trabalhadores, a direção do sindicato do Rio de Janeiro, dirigido pela CTB, operou uma infinidade de manobras e impôs a aceitação do acordo coletivo com validade para dois anos e o fim da greve, anunciando uma possível derrota sem precedentes na história do movimento sindical nos correios. Já na assembléia da noite anterior a CTB e a CUT queriam aceitar o acordo bianual e acabar com o movimento. Os dirigentes do sindicato anunciaram na imprensa o fim da greve e percorreram os locais de trabalho intimidando e ameaçando os trabalhadores que bravamente garantiam os piquetes. Com argumentos mentirosos diziam que a greve estava fraca em todo o país e só no Rio de Janeiro a proposta estava sendo recusada. Insultavam os militantes da Oposição Nacional Conlutas de todas as formas diante de nossa intransigente defesa contrária ao acordo bianual e nossa organização de centenas de trabalhadores enfurecidos que entoavam a palavra de ordem: “Dois anos não, sindicato pelegão!” Um diretor do sindicato conhecido como Azevedo agrediu um militante da Conlutas com coices e cabeçadas quando este subiu no carro de som para dividir a fala com um trabalhador de base. Outro diretor conhecido Cláudio Lobinho, tirou sua pele de cordeiro e percorreu os Centros de Distribuição na Zona Oeste ameaçando os carteiros nos piquetes dizendo que ele estava garantido e “blindado” por ser diretor do sindicato, mas “a base tinha mais é que se foder”. Repetindo o discurso que aprenderam no curso em parceria com o diretor regional dos Correios do Rio, os diretores do sindicato Ronaldo Leite, Marcos Sant'águida, Anizio e Cláudio Lobinho ameaçavam que os dias seriam descontados e mentiam que a ECT já tinha entrado com ação no TST. Na manhã de sexta-feira a direção do sindicato percorreu os locais de trabalho com baixa adesão à paralisação, convocando para a passeata os trabalhadores que furavam a greve. Durante a passeata os militantes da Conlutas foram impedidos de subir no carro de som, somente a CUT e CTB. Com o cartão de ponto batido os trabalhadores foram liberados pelos chefes e rumaram para a assembléia realizada na Cinelândia. Após o fim da passeata, onde só foram permitidas dez falas no carro de som, sendo seis da CUT-CTB favoráveis ao acordo bianual e quatro contrários, dentre estes um da Conlutas. Pela imprensa a diretoria do sindicato já declarava o previsto fim da greve e afirmava que precisaria “explicar” a proposta à categoria, mas era apenas o ardil necessário para acabar com a greve. Confusos e sem as “explicações” prometidas dois terços dos trabalhadores presentes na assembléia caíram na cilada armada pela direção do sindicato e votaram pela aceitação do nefasto acordo bianual e saída da greve. O objetivo da CTB e CUT está muito claro: assinar um acordo com validade de dois anos, para que no ano que vem não ocorra nenhum conflito dos trabalhadores com o governo Lula e sua candidata a presidente da república e demais candidatos. Outro objetivo dos sindicalistas governistas é facilitar o projeto da direção da ECT e do governo na transformação da empresa em Correios S/A. O diretor do sindicato Marcos Sant'águida, já está sendo chamado de “Marquinhos S/A”, pois é um ferrenho defensor da transformação da ECT em sociedade anônima. Já está claro que o objetivo entre os sindicalistas governistas é pegar uma boquinha como membros do Conselho de Administração da nova empresa privatizada. Pois, conforme o parágrafo único do artigo 40 da Lei das S/A (6.404), incluído por FHC e mantido por Lula, está prevista a “participação no conselho de representantes dos empregados, escolhidos pelo voto destes, em eleição direta, organizada pela empresa, em conjunto com as entidades sindicais que os representem.” Sabemos que luta de classes é dinâmica e história se repete como farsa ou como tragédia. Este pretenso acordo coletivo bianual, se implantado, poderá se tornar um modelo para as demais categorias em luta, como bancários, petroleiros, metalúrgicos, o que seria uma derrota imposta pelo governo de frente popular ao conjunto dos trabalhadores brasileiros. Caso as direções da CUT e CTB tivessem realmente compromisso com os interesses da classe trabalhadora a postura mais coerente seria a convocação de nova assembléia para retomada e fortalecimento da greve que se mantém forte e resistente na maioria dos 35 sindicatos dos trabalhadores dos Correios.
Todo apoio a heróica greve dos trabalhadores dos correios
LULA: "Covarde" é quem se rende a Sarney e Collor para se manter no poder
Infelizmente, o presidente Lula deu mais uma demonstração de que os anos no poder o fizeram mudar de lado. Antes, um dirigente sindical que foi reconhecido no mundo todo como líder das greves contra a ditadura. Agora, um Presidente da República que esquece o passado de lutas e ataca a justa greve de uma categoria que constrói no dia a dia uma das maiores empresas deste país e tem um piso salarial de R$ 648,15. Lula chamou os dirigentes da greve dos Correios de COVARDES. Em que pese todas as nossas diferenças com uma ala governista no comando da greve, repudiamos esta atitude absurda de atacar pela imprensa a direção de nosso movimento justo e legítimo. Achamos sim uma atitude "covarde" do presidente Lula quando ele se rende ao apoio de figuras tão ligadas a corrupção. Como os senadores José Sarney e Fernando Collor de Melo, inimigos conhecidos do povo brasileiro e dos trabalhadores dos Correios. E ataca os trabalhadores para impor um acordo de dois anos para que não tenham Campanha Salarial em 2010 e não atrapalhe a tentativa de eleger sua sucessora Dilma Roussef. Perguntamos ao presidente: quem mudou de lado? Porque esta maioria parlamentar não serviu nos últimos sete anos de governo para acabar com o famigerado fator previdenciário? Para reduzir a jornada de trabalho sem redução de salários? Para revogar a lei de FHC que quebrou o monopólio do petróleo brasileiro? Para garantir um reajuste digno aos aposentados? Para garantir a estabilidade no emprego que poderia ter evitado mais de 1 milhão de novos demitidos no primeiro semestre deste ano? Porque a "covardia" não está nos trabalhadores dos Correios. Está sim no Governo Lula que não atende nenhuma reivindicação histórica da classe trabalhadora e não enfrenta de verdade os interesses da burguesia e seus partidos de direita. Existem sim problemas políticos em uma parte significativa da direção do nosso movimento, que vacila em alguns momentos. Mas em nossa opinião não é por covardia, mas sim porque uma parte do Comando tem relações diretas e são atrelados aos interesses de alguns partidos que compõe este governo, como o PT e o PCdoB. Para estes, fazemos um chamado sincero: Rompam com este governo "covarde" que só protege os grandes empresários. E vamos construir nossa greve nacional, mantendo a greve forte em SP, em Brasília, no RS, no Nordeste e na maioria dos Sindicatos da FENTECT e retomando a greve nos Estados que por ventura saíram do movimento.
· REPUDIAR OS MEMBROS DA ARTICULAÇÃO E CTB QUE ORIENTARAM A ASSINATURA DO ACORDO!· QUE O RIO DE JANEIRO VOLTE A GREVE!· DISCUTIR UMA CONTRA-PROPOSTA!· NÃO AO CORTE DO PONTO. PELO ABONO DOS DIAS PARADOS!· ACORDO BIANUAL É ARROCHO SALARIAL!
Assinam: Geraldo Rodrigues e Heitor Fernandes, dirigentes da FENTECT pela Oposição Nacional Conlutas.
Metalúrgicos da GM de São José decidem hoje sobre reajuste
Assembléia reunirá trabalhadores do 1º e 2º turno

Os trabalhadores da General Motors de São José dos Campos decidem, nesta segunda-feira, às 14h30, em uma grande assembléia, se aceitam a proposta para a Campanha Salarial deste ano. O acordo prevê 8,53% de reajuste salarial, sendo 3,7% de aumento real, e abono de R$ 1.950. Se aprovado pela categoria, este acordo vai superar os índices fechados pelo Sinfavea (Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores) com os Sindicatos dos Metalúrgicos do ABC e de Taubaté, filiados à CUT, que ficou em 6,53% e abono de R$ 1.500. A aprovação pelos trabalhadores de São José dos Campos, se confirmada, vai colocar fim ao impasse que se arrasta há dois meses. A princípio, as montadoras ofereciam apenas a reposição da inflação e resistiam em avançar nas cláusulas sociais. Os metalúrgicos da montadora intensificaram a mobilização para pressionar a empresa. Desde o dia 10 de setembro, ocorreram quatro dias de paralisação. Na última sexta-feira, em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas, foi construída uma nova proposta, mas a GM só deu sua resposta final no domingo, em telefonema ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à CONLUTAS. O reajuste de 8,3% proposto na audiência do TRT contempla salários de até R$ 7 mil. Acima desse valor, haverá um reajuste fixo de R$ 581. Também ficou definido o pagamento de 50% dos dias parados. O acordo também beneficiará os metalúrgicos de São Caetano do Sul (SP).
Reintegração
Além disso, numa grande vitória da categoria, a GM vai reintegrar os diretores sindicais Sebastião Francisco Ribeiro e Eliane dos Santos, que também são funcionários da GM e foram demitidos por justa causa durante a greve na montadora. Na manhã desta segunda, os trabalhadores do 1º turno do setor S10, em assembléia, encerraram a greve iniciada na última sexta-feira e aprovaram o acordo negociado entre o Sindicato e a GM. A aprovação foi unânime entre os cerca de 2 mil metalúrgicos presentes, que também aprovaram a realização de uma assembléia unificada à tarde entre os trabalhadores do 1º e 2º turnos. A assembléia da tarde deve reunir cerca de 6 mil trabalhadores. “Esta foi uma campanha que comprovou a grande força dos metalúrgicos, que não se deixaram enganar pela choradeira dos patrões. Agora, vamos intensificar a luta dos outros setores, que ainda não apresentaram proposta favorável”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Vivaldo Moreira Araújo.
Fonte: Sind. Metal. SJC

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Não à repressão!
Trabalhadores da construção civil em greve são duramente agredidos pela polícia em Belém


A Conlutas presta todo o apoio e se solidariza com trabalhadores em greve, que foram duramente agredidos pela polícia de belém
Trabalhadores são duramente reprimidos pela polícia, mas votam pela
continuação da greve. 9.000 operários
da construção civil param às ruas de Belém no 1° dia de greve da categoria
O 1º dia de greve dos trabalhadores da construção civil no Pará, na quarta-feira (2), foi marcado por muita
luta e união por parte dos operários da categoria. Desde as 6 horas da manhã mobilizaram-se em piquetes na frente das obras. 9.000 operários das principais obras da construção civil do estado entraram em greve por tempo indeterminado reivindicando um reajuste maior
nos seus salários.
A patronal, como já era de se esperar, fez de tudo para impedir a greve e contratou seguranças armados para não de
ixar os operários saírem de suas obras e impedirem a adesão à greve. Além disso, os patrões também contaram com o apoio da Polícia Militar e da tropa de choque, a ROTAM, da governadora Ana Júlia (PT), que reprimiu violentamente os trabalhadores durante o ato. A polícia usou gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar a massa de trabalhadores e impedir que os operários entrassem nos canteiros de obras para retirar os companheiros que ainda trabalhavam.
A direção do sindicato chegou a fazer um acordo com o comandante da ROTAM para garantir a manifestação dos operários de forma pacífica. Os operários exigiam seguir o ato para paralisar obras que ainda estavam funcionando. Cada obra parada era comemorada com entusiasmo, porém era visível o aumento do número de policiais, o que já indicava o que viria a seguir.
Repressã
o da polícia deixa 15 trabalhadores presos e quatro feridos
Os patrões deixaram claro desde o início do ato que não iam deixar barato a greve da categoria e que estavam dispostos a reprimir de forma dura a paralisação. Logo no início do ato, seguranças armados da construtora
Urbana atiraram nos operários que tentaram entrar na obra para retirar os trabalhadores que ainda estavam lá. Os operários ficaram revoltados e foram para cima dos seguranças. A polícia interveio com bombas de gás e balas de borracha. Os operários não esmoreceram e foram para cima. Resultado: dois operários feridos, um na cabeça e outro na perna. Mas o pior ainda estava por vir.
Na Praça Brasil, no centro da capital, quando o ato já estava se dirigindo de volta ao sindicato para que os operários almoçassem, a Polícia Militar, que estava na retaguarda, começou a bater e a perseguir os trabalhadores de fo
rma violenta. Para se ter uma idéia, a polícia arrancou o motorista do carro de som e o prenderam de forma arbitrária
e injusta. Cortaram o som e passaram a jogar gás lacrimogênio nos manifestantes, atirando na direção dos operários o que causou pânico na população presente. Os operários foram para cima e o confronto foi inevitável. Começaram a jogar pedras, mangas e pedaços de madeira nos policiais para se defender dos ataques. Um trabalhador foi surrado pela polícia com escoriações no corpo todo. Uma viatura passou em cima das pernas de um operário que teve lesão na coluna e as pernas paralisadas. O saldo foi de 15 trabalhadores presos e quatro feridos.
Os operários ficaram revoltados com a situação. A polícia acabou com o ato, porém os operários seguiram até o sindicato e lá, votaram por unanimidade na continuação da greve. Os patrões já declararam que ir
ão entrar na justiça para decretar a abusividade da greve, mas a categoria está forte. Amanhã terá novamente piquetes e a ordem é continuar as paralisações até os patrões decidirem negociar.
Wellingta Macedo, de Belém








Cordel anti-homofóbico já nasce polêmico
Wilson H. da Silva, da redação
No sábado, 29 de agosto, diversos ativistas da Conlutas e militantes compareceram ao Bar Odara, no Largo do Arouche, para participar do lançamento de mais um cordel escrito por Nando Poeta, um companheiro bastante querido por todos nós, e principalmente por aqueles que apreciam a importância de encontrar formas poéticas para falar sobre as coisas e o mundo pelos quais lutamos. O que, no caso de Nando, sempre vem acompanhado com um delicioso sotaque nordestino, feito sob medida para desfiar as riquezas do cordel.
Em São Paulo, diga-se de passagem, já se tornou quase uma tradição acompanhar um sarau organizado pelo companheiro em torno de datas importantes para os que lutam pelo socialismo. Foi assim no “8 de março” e no “1° de maio”. Como também já é uma grata satisfação conhecer sempre novos amigos cordelistas e poetas, com os quais Nando mantém um criativo diálogo.
Fruto desde diálogo, o cordel que foi lançado no dia 29 foi escrito com um outro talentoso cordelista, Varneci Nascimento, que compartilha com Nando o interesse pelos temas históricos, em seus 200 cordéis já publicados .
E cabe ressaltar que, de certa forma, a data, a escolha do local e o próprio tema também foram fruto de um tipo de “parceira”, esta fundamental para todos aqueles que sonham com um mundo melhor: a unidade e solidariedade entre todos os oprimidos pela discriminação e explorados pelo sistema.
Dia 29, foi “Dia Nacional da Visibilidade Lésbica” (leia matérias no site), por isso nada melhor do que escolher o Odara (um bar atualmente administrado por lésbicas), no Largo do Arouche (um dos pontos literalmente históricos da comunidade de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros, GLBT, de São Paulo) para lançar o cordel “Homossexualidade: história e luta”. Celebração da poesia e da luta O evento foi modesto, mas tão animado quanto importante. Cerca de três dezenas de companheiros e companheiras, de vários setores – como trabalhadores dos Correios, estudantes, professores e ativistas do movimento – circulavam pelo mezanino reservado no Odara.
O lançamento foi breve mas serviu como digna homenagem não só à luta das mulheres lésbicas como para todos os GLBT que lutam contra a discriminação e o preconceito, cotidianamente.
Apesar de não ser muito “comum” no jornalismo (por razões que não cabem ser desenvolvidas aqui), mas até mesmo porque esta matéria irá ter que tocar em temas referentes à imprensa (leia abaixo), vou sair de minha “persona” de jornalista para narrar em primeira pessoal parte do lançamento, já que tive o prazer de ter sido convidado, também para cumprir este papel. Falando em nome da Secretaria de Negros e Negras do PSTU, e como um dos orgulhosos fundadores de nossa Secretaria GLBT, saudei, em primeiro lugar, a iniciativa dos companheiros. Não só por terem tido a idéia de conceber o cordel, mas também pelo cuidado que tiveram em consultar ativistas e militantes GLBT’s , preocupados em não incorrer em algum equívoco, do ponto político.
Também foi destacada a importância de se usar uma arte tão popular e capaz de atingir a tantos como veículo para se fazer este debate. Como também, a enorme importância de termos, a partir daquele dia, um cordel lindo e politicamente forte contando aspectos de nossa vida, nossa história e nossa luta.
Um “belo poema de luta” que também é ótimo exemplo da solidariedade necessária entre os explorados e oprimidos, entre os professores héteros, ali presentes com suas famílias, companheiros e amigos, colocando sua arte a serviço de seus amigos e companheiros homossexuais.
Antes de lerem parte da obra para selar o lançamento, Varneci e Nando falaram um pouco sobre o processo que deu origem ao cordel; destacaram a importância desta troca de idéias, não só entre os dois, mas com os demais interlocutores que tiveram para poderem compor algo que respeitasse o ponto de vista dos homossexuais e do movimento e, obviamente, falaram sobre cordel, lendo suas primeiras estrofes:
• Queremos nesse assunto Mergulhar profundamente Pra mostrar uma estatística Que muda diariamente, A horrenda homofobia Crescendo mundialmente.
Por isso, nesse cordel Vamos por em evidência: Que quem curte o mesmo sexo, Ou pra isso tem tendência, Foi sempre desrespeitado E vítima da violência. Na repercussão não faltou homofobia
Em sua fala, Varneci também destacou algo que o estava incomodando desde que concedera uma entrevista na tarde de sábado, para um blog do site Terra. Varneci lembrou que “a importância de fazermos cordéis como este pode ser exemplificada por algo que aconteceu comigo naquela entrevista. O repórter perguntou se eu e Nando éramos gays, eu disse que não e expliquei o porquê tínhamos escrito o cordel e, inclusive, como eu tinha consultado gays e lésbicas e tudo mais. Sabe o que saiu publicado? Depois de fazer um comentário supostamente malicioso sobre a pergunta ‘inevitável’, o autor do blog afirma que eu me “esquivei” da resposta. Isto é uma demonstração do preconceito que ainda paira na sociedade, e influencia até a edição, e distorção, de coisas que dissemos”
A matéria, aliás, não limitou suas distorções a esta insinuação maliciosa e desnecessária, por parte de alguém que não entende o que é a solidariedade se pode se construída entre aqueles que diga-se de passagem. Sua abordagem deve ter estimulado a série de comentários homofóbicos ainda menos sutis do que surgiram no blog (visite e, certamente, você irá querer comentar:
http://iurirubim.blog.terra.com.br/2009/08/29/ninguem-e-orientado-a-ser-gay-diz-cordelista/).
Para ser ter uma idéia do real, atual e assustador nível com a que praga da homofobia se alastra, basta citar que, nas quase 20 mensagens já postadas, o termo “aberração” apareceu algumas vezes, e um dos signatários afirma, literalmente, “sim deve ser bom ser gay (...) como também deve ser muito bom ser viciado em crack (...) os gays lutam pelo direito de acabar com a ética, caráter e a família (...) sim matar pessoas também dever ser muito bom (...)”.
Felizmente, também surgiram comentários elogiosos sobre o trabalho dos dois cordelistas. Os aplausos no lançamento repercutiram em uma simpática mensagem enviada por Luiz Mott, um dos mais antigos dirigentes no movimento GLBT brasileiro, cujos dados são mencionados em parte do texto, e em vários cumprimentos deixados no página.
E, certamente, os elogios são justos. Iniciativas como as de Nando e Vardeci são provas de que a arte, quando é independente (principalmente da ideologia dominante e sua mediocridade) é uma aliada para todas as lutas.